Latim 365 – 014

Esne Iulia?
Tu és a Júlia?


Es = és.

Como antes, se acrescentamos -ne após es, temos uma pergunta: Esne Iulia?Tu és a Júlia / Você é a Júlia? Pronuncie esne como ésne.


Leia e traduza:
1. Esne Iulia?
2. Esne Flauia?
3. Esne Marcus?
4. Esne Tullius?

Fale em latim:
1. Tu és a Júlia?
2. Você é a Flávia?
3. És o Marcos?
4. Você é o Túlio?

Crítica minimalista: IT – A Coisa

Minha inclinação ao minimalismo me trouxe à reflexão de como realizar uma crítica precisa e definitiva de filmes que assisto usando o menor número de palavras possíveis. Estreio aqui com a crítica de IT – A Coisa, uma adaptação para o cinema do livro homônimo de Stephen King (que não aprecio). E a crítica se resume à seguinte frase:

Os Goonies, com terror.

Nota:  3 (de 5)

Latim 365 – 013

Suntne Marcus et Tullius?
São o Marcos e o Túlio?


Como na lição anterior, -ne é acrescido depois de sunt para indicar uma pergunta, e pode ser traduzido como por acaso: Suntne hic?Por acaso eles estão aqui?

O acento tônico cai na sílaba imediatamente anterior ao -ne: suntne é pronunciada súntne.


Leia e traduza:
1. Suntne Marcus et Tullius?
2. Suntne Flauia et Iulia?
3. Suntne Marcus et Tullius hic?
4. Suntne Iulia et Flauia ibi?
5. Suntne ibi?

Fale em latim:
1. São o Marcos e o Túlio?
2. São Flavia e Júlia?
3. Marcos e Túlio estão aqui?
4. Por acaso a Júlia e Flávia estão lá?
5. Eles estão lá?

Alexander Gode

Alexander Gottfried Friedrich Gode-von Aesch (1906-1970) trabalhou na IALA de 1939 a 1953. Foi o principal criador da interlingua.


Alexander Gode, um dos fundadores e primeiro presidente da American Translators Association, foi contratado pela IALA em 1939. Depois de mais de uma década trabalhando no projeto, juntamente com vários outros eminentes linguistas, como André Martinet (1908-1999), Gode lança, em 1951, o clássico Interlingua-English Dictionary, dando início à história “externa” da interlingua.

Foi tradutor, ficcionista e escreveu de mais de uma dezenas de livros de aprendizado de línguas e linguística.

Universala Esperanto Asocio – UEA

A Universala Esperanto-Asocio – UEA (Associação Universal de Esperanto) é uma associação de esperantistas com sede em Rotterdam, na Holanda. É a maior organização internacional para falantes ou simpatizantes do esperanto.


Fundada em 1908, a UEA possui associados em mais de 120 países e representações oficiais em mais de 70. No Brasil, temos a Brazila Esperanto Ligo – BEL (Liga Brasileira de Esperanto), que se incumbe de organizar o movimento em âmbito local.

A UEA é a única ONG dedicada a uma auxilíngua que mantém relações oficiais ativas com a UNESCO. Possui um serviço de venda de livros, uma seção dedicada a jovens e organiza congressos internacionais anuais desde sua fundação. Edita mensalmente a revista Esperanto, a principal publicação do movimento esperantista.

Notável também é sua rede de delegados, representantes oficiais da associação em centenas de cidades ao redor do mundo. Os delegados se comprometem a prover informações e auxiliar o movimento esperantista local, além de prestar solidariedade a companheiros esperantistas em viagens. Uma lista com os nomes e os endereços de todos os delegados e associações locais é publicada anualmente com o nome de Jarlibro (Livro do ano).

Alice Vanderbilt Morris

Alice Vanderbilt Morris (Fonte: Wikimedia Commons)

Alice Vanderbilt Morris (1874-1950), nascida Alice Vanderbilt Shepard, de riquíssima família norte-americana, foi a fundadora e mantenedora da International Auxiliary Language Association (IALA), a associação de renomados linguistas responsáveis pela criação da interlingua.


Tendo aprendido esperanto na juventude, Alice Morris foi convencida por amigos a tratar do problema das línguas auxiliares de forma mais ostensiva. Fundou em 1924, juntamente com o marido, a IALA, associação que manteve com recursos próprios por 26 anos, até sua morte, em 1950, um ano antes da publicação do famoso Interlingua-English Dictionary.

Alice Morris é uma das figuras mais admiradas da história das auxilínguas. Petr Stojan a homenageia com um retrato no início de sua Bibliografio de Internacia Lingvo, e Johann Dietterle dedica a ela sua compilação das obras originais de Zamenhof, a Originala Verkaro.

Speedtalk

Speedtalk é uma artelíngua apenas esboçada no conto Gulf (1949) do escritor de ficção científica norte-americano Robert Heinlein (1907-1988). É também considerada uma logilíngua, dada sua natureza essencialmente lógica.


No conto Gulf, precursor do livro Friday (1982), encontramos a descrição de uma sociedade avançada de super-humanos – homo novis – que usavam uma língua chamada speedtalk. Cada palavra dessa língua consiste em apenas um fonema, e aquilo que chamamos de palavra equivale a uma oração inteira em português. Os super-humanos que falavam speedtalk pensariam mais rapidamente em virtude da concisão e precisão de sua língua. Isso faria com que pudessem acumular séculos de experiência e aprendizado em apenas poucas décadas de vida.

A língua parece ser muito interessante, mas as escassas indicações de Heinlein em seu conto não nos mostram muito. O que sabemos é que a speedtalk teria cerca de 850 fonemas, um para cada palavra da Basic English, e toda comunicação ocorreria através de uma combinação inteligente desses sons.

O exemplo que temos da speedtalk ocorre por volta da metade do conto. É um diálogo, sem tradução, entre duas vozes, uma masculina e outro feminina, ouvidas por Joseph Gilead, o protagonista:

Masculina: “tsʉmaeq?”
Feminina: “nø!”
Masculina: “zʊlntsɨ.”
Feminina: “ɨpbit’ New Jersey.”

O restante do livro não indica o que isso significa, mas diz que Gilead não pôde entender a conversa por causa das “limitações dos símbolos fonéticos, e segundo porque seus ouvidos não eram acostumados aos sons”.

O que publicamos em julho?

Como agradecimento pela constância, atenção e interesse de meus seis leitores e leitoras fiéis, ofereço um sumário das postagens e páginas publicadas ou atualizadas durante o mês de julho.

Postagens: clique aqui para acessar as 16 postagens do mês (incluindo esta). Latim, esperanto, interlinguística, educação matemática e até administração pessoal estão entre os assuntos abordados.

Paginas: criamos páginas dedicadas ao nosso curso Latim 365, ao nosso incipiente e elementar livro sobre Filosofia da Educação Matemática e atualizamos a página Meus Livros, com esses dois livros em desenvolvimento mais um novo sobre línguas artificiais.

Esperemos um agosto tão frutífero quanto julho!


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24 jaroj poste

Antaŭ iom pli ol 24 jaroj, mi komencis legi tiun grandegan brikegon, la vaste faman Plenan Analizan Gramatikon (PAG). Hodiaŭ, post ioma hezitado, mi denove prenis ĝin en la manoj kaj ĝin trafoliumis, paŭzante tie kaj tie por legi unun aŭ alian alineon.

Mi estas konvinkita, ke esperanto tute ne estas facila lingvo. Mi diras tion tute trankvile, sen timo esti iu hereziulo, kiu ne povas eĉ mencii la malfacilaĵojn de ĝia lernado. Jes ja, ankoraŭ hodiaŭ, tiel kiel multaj aliaj esperantistoj, mi vidas min en situacio reveni al la studado de la lingvo, ne pro tio, ke mi ĝin ne scipovas, sed pro tio, ke mi ĝin neperfekte komprenas.

Legi la PAG-on povas esti timige, ĉar fakte ĝi ne estas manlibro por mastri la lingvon, sed plena kurso pri europa lingvistiko, farita de du lingvistoj el la latina tradicio. La PAG estas por profesiuloj, ne por la simpla esperantisto, kiu volas nur paroli kaj komunikiĝi per la lingvo.

Mi estas ankaŭ konvinkita, ke la tuta afero pri artefaritaj lingvoj kaj la estonta adopto de iu el ili, eble esperanto mem, ne estos facila afero. La komunumo emas kreski, malgraŭ la batoj, sed ne trapasos la limon de niĉo por lingvo-amantoj.

Sed la emocio legi PAG-on por la unua fojo ankoraŭ restas kara en mia koro…

Educação matemática crítica

Quem se aventura pela filosofia da educação matemática um dia se depara com uma vertente – ou melhor, uma postura educacional – conhecida como educação matemática crítica. Em linhas gerais, do que ela trata?

A educação matemática crítica se ocupa principalmente das relações entre matemática e justiça social. Lança um olhar crítico sobre a matemática e questiona se ela serve para a promoção da justiça (que desejamos) ou para manutenção da injustiça (que percebemos) em nossa sociedade.

A palavra “crítica” nos remete à chamada Teoria Crítica da conhecida Escola de Frankfurt, que por sua vez nos remete aos trabalhos de Karl Marx. Muito embora a origem, a educação matemática crítica não se vincula às ortodoxias de viés marxista (embora estas também estejam presentes) e vem buscando um caminho próprio que desafia o status quo da matemática na sociedade e busca questionar as intenções daqueles que defendem seu ensino de forma central e generalizada.

A educação matemática crítica se preocupa com os interesses, expectativas, esperanças a aspirações dos estudantes, e dá a eles voz ativa no processo educativo, uma vez que o conceito de democracia é um de seus elementos estruturantes. A educação matemática crítica questiona também a ação dos professores, vistos não apenas como agentes do sistema escolar preocupados unicamente com seu ganha-pão, mas como indivíduos muitas vezes inscientes de sua ação política e de sua forte contribuição para a manutenção das estruturas de poder vigentes.

Essas preocupações apontam para uma intuição central da educação crítica: a sociedade é injusta e pode ser mudada. Quanto a matemática é responsável pela manutenção da injustiça ou pela promoção da mudança social? Em que o ensino de matemática contribui para isso?

Um dos aspectos mais gritantes da presença da matemática na vida das pessoas é através da tecnologia digital, dos computadores, da internet e também de todo o aparato militar do Estado, impossíveis de serem pensados sem o concurso das técnicas matemáticas desenvolvidas ao longo de milênios. Como a paz e a guerra estão relacionadas com matemática? Seria a matemática um objeto neutro, uma ferramenta muda nas mãos de seus usuários? Como a matemática vem sendo utilizada para vigiar e controlar os indivíduos nas sociedades tecnológicas modernas?

Porque critica a noção moderna de matemática e percebe a presença de ideologias diversas que sustentam a prática e o ensino tradicional dos matemáticos, a educação matemática crítica mantém laços naturais de afinidade com a etnomatemática, que há décadas vem instigando os professores a refletir: existe apenas uma matemática? Se não, por que apenas uma forma é ensinada nas escolas? A quem interessa esse ensino? Por que ele é frequentemente baseado em competição, como olimpíadas e outras formas de exclusão e seleção?