Latim 365 – 010

Marcus est ibi.
Marcos está lá.


Ibi = aí, lá.


Leia e traduza:
1. Tullius est ibi.
2. Ibi est Flauia.
3. Flauia et Iulia ibi sunt.
4. Marcus ibi non est.
5. Ibi non sum. Hic sum.

Fale em latim:
1. Túlio está lá.
2. Flávia está aí.
3. Flávia e Júlia estão lá.
4. Marcus não está lá.
5. Não estou lá. Estou aqui.

 

Guia do Patife – Generalização apressada

Todo mundo faz isso!

Não, não faz. Nunca faz. Nunca todo mundo.

O principal uso da generalização apressada, ou simplesmente generalização, não é o de estabelecer uma regra geral, ou de um princípio totalizante que abarque todos os casos possíveis. Se você pensou que era, pense novamente: a generalização apressada serve para isolar alguém em um grupo.

Poucas coisas são mais dolorosas do que o sentimento de solidão, de rejeição, de inadaptação. Poucas pessoas, em geral com problemas psicológicos, gostam de viver isoladas, como um bicho do mato, longe do contato com outros. A grande maioria, a grande massa que é alvo do patife, simplesmente não suporta rejeição.

Sim, essa é mais uma das muitas fraquezas humanas que o patife deve explorar. A generalização apressada é mais um instrumento em suas mãos, a ser usado da maneira correta e no momento certo. Mesmo diante do indivíduo mais íntegro e honesto, mesmo à frente de um santo, a generalização apressada conta pontos a favor do patife. O sentimento moral fica abalado quando defrontado com o abismo da solidão, e a honestidade mais sólida é corroída pelo sentimento de segregação do bando. Mas existem cuidados a serem tomados.

O melhor momento para usar a generalização é quando o patife se encontra acompanhado e sua vítima está só. Jamais use a generalização sozinho ou quando a vítima está em grupo, pois nesse caso as forças estarão contra você. Prefira estar acompanhado com outros patifes e pegue a vítima de jeito, como uma alcateia de lobos em cima de uma pobre ovelhinha. Com fingida segurança, tome um caso particular e generalize-o, dizendo algo como todo mundo aqui faz assim, ou ainda, sempre foi feito assim, mostrando à sua vítima que não só ela está isolada, como também não existem perspectivas futuras para ela, assim como jamais houve no passado.

As reações da vítima podem ser as mais diversas. Ela pode se afastar de você, e seu golpe ir por água abaixo. É preciso calma e um pouco de sedução, paciência e suavidade, para que a coisa toda funcione. Muita intimidação também a afugentará, e assim é melhor ir devagar, ganhando terreno como quem tem todo o tempo do mundo. Se você procede assim, é quase certo que também não será culpado quando o golpe fracassar; sua vítima apenas esquecerá que o encontrou, e poderá voltar a ser uma vítima novamente.

O patife nunca se esquece que, por trás de uma miríade de falácias, existe a alma humana, inculta e frágil, que aguarda um golpe certeiro em sua jugular emocional. Pense na psicologia, pense no que o ser humano tem mais medo, e daí… ataque! A generalização é mais uma ferramenta em suas mãos.

Otto Jespersen

Otto Jespersen (1860-1943) foi um linguista dinamarquês, fundador da Associação Fonética Internacional. É considerado um dos pais da linguística moderna.

Jespersen participou da Délégation pour l’adoption d’une langue auxiliaire internationale, na qual apoiou vivamente a adoção da ido. Em 1928, porém, publica o livro An international language, no qual apresentou a novial, um projeto de sua criação que considerava uma melhoria da ido. Atuou também na International Auxiliary Language Association (IALA), responsável pela criação da interlingua.

Jan Baudoin de Courtenay

Jan Baudoin de Courtenay (1845-1929) foi um eminente linguista e eslavista polonês. É conhecido como um dos criadores da fonologia moderna, principalmente pelo seu estudo do fenômeno da alofonia.

Jan Courtenay foi um dedicado esperantista, presidente da Liga Polonesa de Esperanto. Defendeu o esperanto na Délégation pour l’adoption d’une langue auxiliaire internationale, posicionando-se contra a ido, a qual via, em muitos aspectos, como uma degradação do esperanto.

 

Guia do Patife – Exceções

Conheço um sujeito que não é assim…

Exceções, exceções… as mais perfeitas armas de destruição de generalizações apressadas, como uma bala de prata bem no coração de uma afirmação geral.

Desde tempos imemoriais, a argumentação balança entre os extremos da generalização e da particularização. Pessoas tendem a viver sob regras, e regras gerais que se pretendem universias, muitas vezes conhecidas como sabedoria. No entanto, e para a tragédia da humanidade, não existe nada como uma sabedoria universal, isenta de preconceitos do tempo e do lugar em que nasceu. Ainda assim, não há quem não se sinta profundamente atraído por uma ótima lei universal…

Isso é importante para o patife. Saber que as pessoas são cognitivamente frágeis e emocionalmente incapazes de viver sem uma tábua de salvação, como leis divinas, leis da natureza ou pérolas da sabedoria de todos os tempos, aponta para mais fraqeza humana que o aspirante a patife deve explorar. Vamos a alguns exemplos esclarecedores.

No domínio do marketing, nada mais efetivo do que ressaltar qualidade para esconder falhas. Nada melhor para uma empresa do que esconder dos olhos e dos ouvidos do consumidor qual é a porcentagem de produtos que falham. A propaganda, como deve ser toda propaganda, oculta o problema através da oferta de afirmações gerais sobre seus produtos. Obviamente, como é característica da própria vida, não existe nada infalível, assim como não existe a felicidade sem jaça, pura e imortal. Mas procure anunciar seus produtos com afirmações globais e gerais que apontem para a felicidade no fim do túnel, sem falhas ou condições, que você verá a atração da verdade agindo subrepticiamente para enrolar o consumidor. Não deixe que ele perceba, nem por um segundo, que a coisa não deve ser tão boa assim…

No marketing político, isso é o mais usual. Ressaltar um ponto bom de uma reforma destruidora, uma verdadeiras exceção em um mar de tragédias legais, faz com que muita gente caia. A ocultação do geral ruim através da insistência no particular benéfico, transformado em regra geral, é uma ótima arma de produção de votos alienados.

Advogados dizem que a exceção cofirma a regra. No campo da lógica pura, não há nada mais imbecil; no campo da dialética, não há nada mais sutil e profundo. Esse ditado aponta para o fato simples que tudo se define em contraste com tudo o mais; a própria regra só existe porque a exceção está lá, à espreita, tentando invadir o jardim e pisar em todas as flores. Leis existem porque existe o crime, ou leis existem para que o crime, e não a justiça, prevaleça, o que é mais comum Um dá à luz ao outro.

O patife vai atacar ou se defender de um argumento geral manipulando a exceção. Se é para destruir o argumento geral, entre com uma exceção do tipo “mas lá em casa é diferente…”, ou “funciona de outro jeito comigo…”. Se é para ressaltar a exceção, começe tornando-a uma lei do universo e tome cuidado para esconder os outros 99,9% de casos que são, efetivamente, o esteio da regra “geral”.

Nada melhor para o patife do que se mover no terreno da dialética regra-exceção, ou no do geral-particular. Lembre-se: ninguém pensa estatisticamente. É sempre tudo ou nada, o tempo todo, na cabeça do pobre coitado que será sua proxima vítima.